23/11/07

calção gessado

calção gessado unilateral


na mesa de tracção





Programei para hoje substituir um calção gessado que tinha efectuado há dois meses, a um doente, e por se encontrar justo, pelo trabalho muscular que tem feito, ganhou massa muscular na coxa.

Material necessário:
- Malha de gersey Stulpa* 30cc - 1/2 metro

- Malha de gersey Stulpa* 10cc - 1/2 metro

- 06 ligaduras de algodão prensado 20cc

- 06 ligaduras de algodão prensado 15 cc

- 06 ligaduras de Rhena Cast* 12,5
- 04 ligaduras de Rhena Cast* 10

- 1/2 metro de Feltro adesivado 0,5 cc

- 1 par de luvas

- uma bacia com agua morna a 20º



Iniciei por posicionar o doente na mesa de tracção ortopedica, retirei o aparelho gessado anterior e após uma boa higiene, coloquei a malha de gersey de 30 cc na bacia, com um rolo de uma ligadura de algodão de 20cc no abdomen que após a confecção retirei ficando um espaço livre para a dilatação pós pandreal. E coloquei a malha de gersey Stulpa* de 10cc desde a raiz da coxa ao longo do fémur e até abaixo do joelho.


Com o doente bem colocado na mesa de tracção, com os membros inferiores traccionados, e criando uma levitação do doente com o abaixamento de parte da mesa de tracção dei continuidade á execução do gesso.


Colei um pedaço de feltro ao longo do fémur na malha de gersey do fémur, zona de grande pressão do gesso, e na região dorsal tambem colei na malha de gersey.


Com as ligaduras de algodão fazendo circulares na região dorsal e pelvica cruzando para o fémur, e voltando novamente a região dorsal, ficou bem almofadado.


Tambem as ligaduras de Rhena Cast* foram da mesma forma aplicadas, retirando-as da protecção de aluminio, com luvas de protecção calçadas foram hidratadas a 20º .


Foi importante colocar uma tala de Rhena Cast* na face externa da coxa para dar maior resistência ao calção evitando a sua mobilidade e dando resistência onde é necessário.


Com os debroados da malha sobre o gesso terminei com uma ligadura vermelha.


Testei as mobilidades da anca contralateral,após a libertação da mesa e levante, testei o semisentar em cadeira alta.


Aguardo as criticas e sugestões

23/10/07

Minerva



colocação do algodão prensado




Ontem tive que construir uma imobilização gessada da cervical ao Sr. João, que na passada semana lhe fora estabilizada uma fractura cervical com cerclage, e para repouso da cirurgia foi-lhe prescrito uma imobilização gessada “Minerva”.

Estes doentes devem iniciar o plano inclinado dois a três dias antes, bem como a tricotomia do couro cabeludo para uma boa adaptação da imobilização ao craneo e deve manter-se sentado durante a execução da imobilização.

Conforme vemos nas fotos, iniciamos a preparação, vestindo uma malha de gersey de 30cc, com dois cortes laterais coincidindo com as entradas dos membros superiores, esta malha vai desde o umbigo até ao topo da cabeça.
Coloca-se um cabresto, que eu preferi com uma ligadura de 20cc, fazer um corte longitudinal, mais ou menos a meio da ligadura com 2 metros, e fiz passar pela cabeça no sentido frente-trás até ao pescoço e rodar para apoiar no mento pela frente e atrás da orelha por trás. Depois de traccionado retirei o colar de filadélfia e fiz o penso da sutura cirúrgica.
Colocada a malha para a cabeça fiz um corte na zona da face libertando os olhos, nariz e boca,
Iniciei a colocação de algodão prensado, e de seguida a passagem das ligaduras de resina sintética “Rhena Cast”, cobrindo todo o tórax, nos ombros deixando amplos movimentos dos braços. Com uma tala fiz o reforço ao nível da nuca desde a cabeça até ao meio das costas e duas a três circulares no frontal, passando por trás das orelhas e envolvendo o mento.
Fiz um corte com cerca de 3ccx2cc ao nível do pescoço para acesso à traqueia em SOS.
Finalmente fazem-se todos os acabamentos de forma a ficar sem zonas contundentes para a pele. Orelhas livres de contacto com o gesso e testa-se a mobilidade da mandíbula.







preparação com malha 30cc e tracção com cabresto

25/09/07

“gessos funcionais”



É o Enfermeiro Paulo Homem que a partir de Fevereiro de 1980, executa os gessos funcionais, deixando escola até aos nossos dias.











gessos funcionais


Foi Sarmiento que em 1967, iniciou o método ortopédico-funcional, baseado nos encaixes do tipo:
- P.T.B. ( patelar tendon bearing)
- Q.T.B. ( quadrilateral thigh bearing )
- munster (encaixe olecraniano e aletas condilianas)
- braquial funcional articulado (articulado do cotovelo)
- pelvicruropodálico articulado
- tala em “U”, braçal funcional, minibrace,
- bota de sarmiento (bota com apoio PTB e tacão de marcha)

“Gessos Funcionais”

…método eficaz na resolução da maioria das fracturas, especialmente da tíbia e do úmero…
Prof. Doutor Norberto Canha

Sempre que não se consegue um alinhamento aceitável dos segmentos, o método deve ser abandonado e substituído por outro…
Prof. Doutor Adrião Proença

vantagens

fisiológico - evita a intervenção cirúrgica
- permite a função do membro
- impede a rigidez articular e atrofia muscular
cómodo – qualidade de vida ( psicológica, higiénica e social)
económico – menor taxa de internamento
rápido – consolidação em curto espaço de tempo

inconvenientes
Não se aplica a todos os doentes em todas as circunstâncias.
Em fracturas intrarticulares, # do rádio com lesão da articulação rádio cubital; # da metade superior do fémur.
Em doentes que não colaborem.
Em doentes com alterações sensitivas (neuropatia diabética)

P.T.B.(patelar tendon bearing)
Técnica de tratamento ortopédico funcional de fracturas da diáfise tibial.
- na primeira fase é reduzida a fractura e imobilizada com um cruropedioso.

Decorridos aproximadamente duas semanas, podemos substituir o cruropedioso por uma bota com apoio PTB e tacão de marcha ( bota de sarmiento)


Decorridos três a seis semanas, colocar o gesso funcional (PTB): (ver foto )
Com a perna pendente, colocar uma camada de jersey, englobando o pé, a tibiotársica, o joelho e o terço distal da coxa.
Por cima desta camada de jersey vamos aplicar uma ligadura de tensoplast ou pé elástico, englobando o pé até duas polegadas acima dos maléolos. A finalidade desta ligadura é a de evitar o edema distal.
Seguidamente, colocar outra camada de jersey com a extensão da primeira e almofada-se com algodão o joelho e a tibiotarsica. A finalidade da camada de algodão é a de facilitar o recorte do gesso na fase final dos acabamentos.

Engessar a perna até ao joelho e realizam-se os três pontos de apoio, se necessário.

Modelar a membrana interóssea, a região poplitea e o côndilo interno da tíbia.
Colocar o membro em extensão, engessar o joelho e o terço distal da coxa.
Conformar o tendão rotuliano e a região supracondiliana
Posteriormente recortar o gesso, distalmente, de forma a permitir completa liberdade de movimentos da tibiotarsica e proximalmente, de forma a permitir uma flexão do joelho de 90º.
Finalmente aplicar o pé plástico, posicionando o pé em valgo e guardando a distância de um dedo entre o calcanhar e o contraforte do pé plástico.
Desta forma evitar que as hastes partam facilmente.

Confirmar as mobilidades permitidas e assegurar que os bordos não magoam o doente.

Ensinar o doente como limpar o pé plástico e aplicar uma palmilha de cortiça entre o pé plástico e o pé.




20/08/07

Braquiantebraquial







Este doente em presença de um fixador externo do membro superior por esfacelo do cotovelo e fractura distal do úmero, imobilizado com o fixador externo para pensos reparou o esfacelo com uma cicatrização aceitável que hoje retirei para colocação de um gesso braquiantebraquial, por indicação do Dr. Garruço, conforme as fotos acima, sem a fixação externa e com a imobilização braquiantebraquial que seguidamente descrevo:


Braquiantebraquial

Não é mais que um gesso que imobiliza no membro superior o cotovelo, desde o punho ao ombro.
Pretendo que tenha boa mobilidade do punho e do ombro, seja bem alto no braço, libertando a axila e dê repouso ao cotovelo , não permitindo os movimentos de prono-supinação, sendo para isso bem conformado na região interóssea rádio-cubital e braço.

Material necessário:
- Malha de gersey Stulpa 6cc - 1 metro;
- Três ligaduras de algodão prensado Rolta soft 10cm;
- Duas ligaduras de Rhena cast 7,5 ou similar.
- Par de luvas
- Bacia com agua morna

Com o doente sentado e com o membro superior em posição neutra (o polegar para cima) e cotovelo a 90º, levanto o membro superior ao nível do ombro, segurando o doente com a mão contrária a mão do membro a imobilizar. Se necessário ter o doente deitado, este segura os dedos com a mão contrária e o polegar fica apontado ao peito, com o cotovelo flectido a 90º e ombro elevado a 90º.
Depois de proteger todas as soluções de continuidade existentes, coloco a malha de gersey ao longo do membro superior, previamente enrolada.
Seguidamente coloco o algodão prensado desde o punho ao ombro, sendo bem generoso nos condilos e onde termina o gesso no punho e região proximal do braço.
Com umas luvas de protecção, depois de hidratar em água morna a mais ou menos 20º, a ligadura de resina sintética, inicio com uma circular desde o punho, colocando a circular seguinte sobre dois terços da anterior. No cotovelo faço uma passagem sobre os condilos de forma a evitar o garrote na flexura;passo a ligadura do antebraço para o braço por cima do côndilo externo e volto pelo côndilo interno ao mesmo local. Reinicio a circular pelo cotovelo até á região proximal do braço, permitindo uma boa adaptação do braço ao tronco sem magoar a axila. Faço os rebordos debroados do gesso (voltear a malha de gersey sobre o algodão e o gesso) para não permitir o contacto do gesso com a pele.
Durante o tempo a berto de secagem de 3 a 5 minutos, é muito importante a conformação interóssea ao nível rádio cubital para reduzir a possibilidade de movimentos de prono supinação e a conformação com as regiões tenares ao nível das faces externa e interna do braço criando uma ligeira depressão no gesso e adaptando-o aos contornos anatómicos do doente.
Fica suspenso em ligadura ao pescoço ou em ortotese comercial (suporte do antebraço) e aconselho a mobilidade frequente do punho e dedos bem como o ombro para evitar e reduzir edemas da mão e processos inflamatórios e de congelação do ombro por imobilidade.

18/07/07

Bota Gessada (com estribo para descarga do calcâneo)





Na consulta de quinta feira, o Dr. Serpa Oliva envia à sala de gessos uma doente em maca, para bota em sintético com estribo para descarga do calcâneo, com sequela de traumatismo craneano, quis saber melhor o porquê desta indicação, não tinha fractura do calcâneo, mas tinha uma fractura dos ossos da perna sem sinais de consolidação óssea, pretendia-se iniciar o levante e tentativa de marcha .
Depois de executar uma "bota de sarmiento", neste caso bem almofadada e moldada, aplica-se o estribo para descarga do calcâneo com apoio ao nível dos côndilos da tíbia e tal como na foto com apoio do pé na mola, porque em caso de fractura do calcâneo, era libertada a articulação tíbio tarsica, permitindo movimento de flexão e extensão dorsal do pé, com carga parcial.

10/07/07

A tala de Zimmer
Hoje foi-me pedido para reajustar uma tala de zimmer, por fractura de um dos metacarpos.
Ao retirar as ligaduras encontrei uma necrose superficial da pele da articulação da segunda falange do dedo indicador por provável pressão na curvatura provocada na tala de zimmer.
Depois de desinfectada e protegida com penso, vamos moldar uma nova tala de zimmer de 1/2 polegada no dedo da mão contralateral. Depois readaptá-la á mão lesada e após fixar com adesivo e com uma ligadura de 5cc fazer o encerramento final.
Esta imobilização, salvo indicação contrária é para três semanas.

02/07/07

Gesso de Contacto

Ultimamente, tem-me sido enviado pela Podologia da Consulta de Endocrinologia, alguns doentes diabéticos e com feridas plantares do pé pela pressão.
O que se pretende com este gesso de contacto, é uma bota gessada a que eu chamarei de não contacto, porque o que se pretende é que o apoio seja na base do pé, excluindo a zona da ferida, onde se faz uma janela para o penso.
Na literatura encontramos apenas gesso para pé diabético.
Construímos não mais que uma bota gessada desde a região poplítea e tuberosidade anterior da tíbia permitindo a completa flexão do joelho até a raiz dos dedos do pé pela face plantar e raiz dos dedos na face anterior.
Começando por colocar uma compressa dobrada na região da ferida plantar, onde vai ser aberta e retirada a janela para o penso com vaselina salicilada a 2%.
Após colocar a malha de jersey de 8cc desde os dedos do pé ao joelho, de forma a permitir o debruado (voltar a malha sobre o gesso), coloca-se de seguida duas ligaduras de algodão de 15cc, deve ser-se muito generoso na colocação do algodão com especial cuidado na crista da tíbia, maléolos, calcanhar, não podemos correr riscos num diabético e provocar feridas, mas sim pela distribuição do peso no pé, não fazendo carga na zona de ferida plantar, esta cicatrize e se resolva a ferida perfurante, muitas vezes no domicílio só com vaselina salicilada a 2% ou penso com betadine diário.



A aplicação de duas ligaduras sintéticas de 10 pode iniciar-se da raiz dos dedos do pé e em circulares passando a última circular por cima de dois terços da anterior, com uma tala plantar, faz-se o debruado da malha de jersey e acaba-se o gesso.
Após o gesso secar, 4 a 5 minutos abre-se a janela na região previamente demarcada e onde deixamos a compressa, e vamos colocar dois tacões de marcha acima e abaixo da janela de forma a não permitir o apoio da ferida plantar com o chão. Encerra-se o penso conforme prescrito e aconselha-se a vigilância apertada que ao mínimo sinal, deve vir ter connosco ao serviço e a esta sala de gessos para resolver ou substituir o gesso.